Especialista ouvida pelo blog do Nutri In Rio detalha como a queda hormonal impacta o humor, o coração e os ossos, além de comentar o novo medicamento não hormonal aprovado para os fogachos
A menopausa costuma ser lembrada apenas pelos fogachos, uma onda repentina de calor intenso que se espalha pelo corpo, e pelas alterações no ciclo menstrual, mas o período envolve muito mais do que isso. A queda do estrogênio provoca mudanças no humor, no sono, no coração, no metabolismo e na densidade óssea da mulher, muitas vezes de forma silenciosa. Ansiedade, irritabilidade e sintomas depressivos podem surgir já na perimenopausa, antes mesmo do diagnóstico formal. Ainda assim, o tema segue cercado de mitos.
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Com isso em mente, o blog do Nutri In Rio conversou com a ginecologista Aparecida Monteiro, mestre em Saúde da Mulher e professora de Ginecologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e também docente na Pós-graduação da Afya, para entender o que realmente muda no corpo e na mente da mulher na menopausa. A especialista explica como diferenciar sintomas emocionais da transição hormonal de um transtorno psiquiátrico, detalha os riscos cardiovasculares e ósseos que aumentam nessa fase e comenta o fezolinetanto, novo medicamento não hormonal para os fogachos. Ela também explica por que a menopausa ainda é subestimada pela saúde. Confira a entrevista completa!

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Menopausa: o que muda no corpo e na mente da mulher
A transição menopausal reorganiza diversos sistemas do corpo feminino. Antes de entender os riscos e os cuidados dessa fase, é preciso saber o que ela representa de fato. A seguir, a ginecologista explica os principais pontos sobre o tema. Confira os tópicos que vamos abordar ao longo da matéria:
- O que é a menopausa
- O que acontece com o corpo da mulher na menopausa
- Menopausa afeta a saúde mental? Entenda os riscos de ansiedade e depressão
- Menopausa aumenta o risco cardiovascular, ósseo e metabólico
- Novo tratamento para fogachos e por que a menopausa ainda é subestimada
1. O que é a menopausa
A menopausa é definida pela última menstruação da mulher, confirmada retrospectivamente após doze meses sem sangramento. Ela marca o fim natural da função ovariana e da produção cíclica de estrogênio e progesterona. Esse momento costuma ocorrer entre os 45 e os 55 anos, embora existam casos de menopausa precoce.
O período que antecede essa transição é chamado de perimenopausa. Nele já ocorrem oscilações hormonais importantes, mesmo com a menstruação ainda presente. É justamente nessa fase que muitos sintomas físicos e emocionais começam a aparecer, antes mesmo do diagnóstico formal de menopausa.
Compreender essa diferença é importante para o diagnóstico correto. Muitas mulheres associam os sintomas apenas ao envelhecimento e demoram a buscar orientação médica. Reconhecer a perimenopausa como parte do mesmo processo ajuda no acompanhamento e na escolha do tratamento adequado para cada caso.
2. O que acontece com o corpo da mulher na menopausa
A queda do estrogênio provoca efeitos que vão muito além dos fogachos. O hormônio atua na regulação da temperatura corporal, na saúde óssea, no metabolismo lipídico e até na função dos vasos sanguíneos. Por isso, sua redução altera o funcionamento de diversos órgãos e sistemas ao mesmo tempo.
Fogachos, suores noturnos, alterações do sono e secura vaginal estão entre os sintomas mais conhecidos. Mas o processo também favorece o acúmulo de gordura abdominal, muda o perfil de colesterol e reduz a densidade mineral óssea de forma progressiva ao longo dos anos seguintes.

3. Menopausa afeta a saúde mental? Entenda os riscos de ansiedade e depressão
A transição menopausal pode sim afetar a saúde mental da mulher, mas não da mesma forma em todos os casos. Ansiedade, irritabilidade e sintomas depressivos são mais comuns durante a perimenopausa, período de maior instabilidade hormonal e também maior vulnerabilidade emocional.
“O risco é maior em mulheres com histórico de depressão, sintomas vasomotores intensos, distúrbios do sono, maior sensibilidade às alterações hormonais, menopausa precoce ou cirúrgica e situações importantes de estresse psicossocial”, explica a ginecologista Aparecida Monteiro.
Diferenciar esses sintomas de um transtorno psiquiátrico é um processo clínico. A avaliação leva em conta o início, a intensidade e a relação com os fogachos e o sono. “A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) recomenda que a avaliação da saúde mental faça parte do cuidado de rotina das mulheres no climatério”, destaca a especialista.
4. Menopausa aumenta o risco cardiovascular, ósseo e metabólico?
Depois da menopausa, aumentam principalmente os riscos cardiovascular, ósseo e metabólico, somando-se ainda alterações geniturinárias que afetam diretamente a qualidade de vida da mulher nessa fase. A queda do estrogênio, nesse caso, está diretamente ligada a esse cenário.
“A queda do estrogênio contribui para o aumento do risco cardiovascular porque favorece alterações do perfil lipídico, da função dos vasos sanguíneos e aumento da gordura abdominal”, afirma a ginecologista. O risco, porém, não depende apenas do hormônio.
Envelhecimento, hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo também pesam nessa equação. Por isso, o climatério é considerado um momento estratégico para revisar hábitos de vida e reforçar a prevenção de doenças crônicas nos anos seguintes.

5. Novo tratamento para fogachos e por que a menopausa ainda é subestimada
O fezolinetanto é um medicamento não hormonal aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que atua no sistema de termorregulação cerebral. Ele é indicado para o tratamento de sintomas vasomotores moderados a intensos, como fogachos e suores noturnos frequentes.
“Ao controlar esses sintomas, pode trazer benefícios indiretos para a saúde mental, principalmente pela melhora do sono, da fadiga, da irritabilidade e da qualidade de vida”, explica a médica.
Por não ser hormonal, ele não substitui os efeitos sistêmicos da terapia hormonal. Apesar dos avanços, a menopausa segue subestimada na prática clínica. “Muitas mulheres relatam que seus sintomas não são reconhecidos ou são vistos como algo que simplesmente precisam suportar”, afirma Aparecida. Para a ginecologista, ampliar essa discussão para além do consultório é importante para melhorar o cuidado com a mulher nessa fase.
Com informações de FIGO, ANVISA e UFF.
Os conteúdos do Blog Nutri In Rio têm caráter informativo e visam promover o diálogo entre ciência, saúde e bem-estar. As informações aqui apresentadas refletem tendências, pesquisas e práticas reconhecidas no campo da saúde integrativa, sem substituir orientações profissionais ou recomendações clínicas.



