Dieta sem glúten emagrece? Especialista explica o que a ciência já descobriu

Palestrante e nutricionista ouvida pelo Nutri In Rio explica o que é esse complexo proteico e como ele pode se encaixar na alimentação

Cada vez mais pessoas retiram o glúten da alimentação com o objetivo de emagrecer ou melhorar a saúde. A prática ganhou força nas redes sociais e também na indústria de alimentos, que passou a destacar a ausência da proteína em diversos produtos. 

Para nutricionistas e profissionais da área da saúde, entender esse debate é essencial. Afinal, a exclusão do glúten pode ser necessária em condições específicas, como doença celíaca ou sensibilidade ao glúten, mas nem sempre está relacionada diretamente ao emagrecimento.

Pensando nisso, o blog do Nutri In Rio, principal evento de nutrição do Rio de Janeiro realizado pelo Grupo Open Brasil, conversou com Caroll Martins, especialista em Nutrição Estética e Saúde da Mulher e membra da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva, para esclarecer os principais mitos e verdades sobre o tema. Confira!

Variedade de grãos integrais, cereais e sementes em tigelas de madeira organizados ao redor de um monte de farinha integral.
A retirada do glúten pode ser necessária em condições específicas, mas o profissional precisa entender caso a caso — Reprodução: redes sociais

Tópicos que vamos abordar neste artigo: 

  • Glúten engorda? Entenda o principal mito
  • Dieta sem glúten funciona para todo mundo?
  • Produto sem glúten é mais saudável?
  • O que a ciência ainda investiga sobre glúten e inflamação

Glúten engorda? Entenda o principal mito

Um dos equívocos mais comuns entre pacientes é acreditar que o glúten, por si só, é responsável pelo ganho de peso. No entanto, a ciência mostra que o aumento de peso está relacionado principalmente ao excesso de calorias na dieta.

Segundo Caroll Martins, a associação entre glúten e emagrecimento muitas vezes acontece por outro motivo.

“O maior mito sem dúvida é achar que o glúten engorda. Ele não tem esse poder. O que engorda são calorias extras. O fato é que ao excluir glúten se exclui principalmente alimentos mais calóricos ou porções maiores como pães e massas.”, destaca a especialista. 

Mulher fazendo gesto de recusa com as mãos para um prato com pães oferecido a ela, ilustrando restrição alimentar.
O glúten não causa ganho de peso, o excesso calórico sim — Reprodução: redes sociais


Dieta sem glúten funciona para todo mundo?

Embora muitas pessoas relatem melhora de sintomas digestivos ao retirar o glúten, isso não significa que a estratégia seja necessária para todos. A tolerância ao glúten varia de acordo com cada indivíduo e deve ser avaliada dentro do contexto clínico e alimentar.

“O glúten pode trazer desconforto para algumas pessoas, mas isso é individual. Retirar pode ser uma escolha ou até um teste para ver como se sente, mas não é obrigatório já que para muitas pessoas é bem tolerado. Com relação a rotina alimentar temos uma ampla variedade de alimentos para incluir como frutas, aveia, arroz, batata, etc. Então não deve ser uma dificuldade seguir uma alimentação sem glúten.”, reforça a nutricionista. 

Produto sem glúten é mais saudável?

Outro ponto que gera confusão entre consumidores é a ideia de que alimentos sem glúten seriam automaticamente mais saudáveis. Na prática, isso não necessariamente acontece.

Produtos industrializados sem glúten podem conter açúcar, gordura ou aditivos em quantidades semelhantes (ou até maiores) do que as versões tradicionais.

“A falta de conhecimento dos consumidores e o apelo da indústria preocupam. Não conter glúten não significa ser saudável, menos processado, com menos aditivos ou menos calóricos.”, argumenta Carol. 

O que a ciência ainda investiga sobre glúten e inflamação

Nos últimos anos, pesquisas também passaram a investigar possíveis relações entre consumo de glúten e processos inflamatórios em algumas pessoas. No entanto, especialistas alertam que ainda é necessário analisar cada caso individualmente.

“Sabemos que muitos fatores interferem na inflamação além do glúten para algumas pessoas como a obesidade, nível de estresse e consumo de ultraprocessados. Acredito que o glúten está no alvo dos pesquisadores, mas nós profissionais da saúde devemos nos basear em evidências científicas robustas e levar em consideração todo contexto individual de cada paciente. Portanto, ainda carecemos de mais estudos.”, enfatiza a palestrante.

Mesa de café da manhã saudável vista de cima com bowls de iogurte, frutas, granola e torradas com abacate e ovo cozido.
A relação entre glúten e inflamação existe em alguns casos, mas requer avaliação individual — Reprodução: redes sociais


Marque na agenda

Debates sobre modismos alimentares, interpretação de evidências científicas e o papel do nutricionista na orientação alimentar também fazem parte da programação do Nutri In Rio. O congresso reúne nutricionistas, pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais da saúde em uma agenda voltada à atualização científica e troca de experiências.

Além das palestras e painéis, o evento conta com uma feira de negócios. Marcas expositoras apresentam produtos, tecnologias e novidades do mercado de nutrição.

Em 2026, o Nutri In Rio realiza sua 3ª edição entre os dias 16 e 18 de maio, no Riocentro, no Rio de Janeiro. Ao longo da programação, especialistas discutem temas atuais da nutrição, sempre com base em evidências científicas e na prática clínica. É uma oportunidade de atualizar conhecimentos, ampliar networking e acompanhar discussões que impactam diretamente a atuação profissional.

Auditório do evento Nutri In Rio com participantes interagindo em frente ao palco principal, que exibe um grande painel de LED verde com a logo do congresso.
O Nutri In Rio 2026 acontece de 16 a 18 de maio no Riocentro, reunindo especialistas para debater nutrição e atuação profissional — Reprodução: redes sociais


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Mesa de madeira com pães rústicos, massas cruas coloridas, grissinis e torradas organizados ao redor de uma placa central com o texto "GLUTEN FREE" (sem glúten).

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