Palestrante e nutricionista ouvida pelo Nutri In Rio explica quais alimentos podem suprir a proteína do whey sem comprometer os resultados
Com o aumento no preço do Whey Protein, muitos brasileiros que já incorporaram na rotina o suplemento para bater a meta de proteínas estão se perguntando se vale continuar investindo no produto. A questão ganhou força nas academias e nas redes sociais, mas a resposta não é tão simples quanto parece e envolve muito mais do que trocar um pote por um frango. Para nutricionistas e profissionais da área da saúde, o momento é oportuno para revisar conceitos importantes com os pacientes: o whey é uma ferramenta, não uma necessidade absoluta. Mas substituí-lo bem exige atenção à qualidade proteica, ao perfil de aminoácidos e à realidade de cada pessoa.
Pensando nisso, o blog do Nutri In Rio, principal evento de nutrição do Rio de Janeiro realizado pelo Grupo Open Brasil, conversou com Caroll Martins, especialista em Nutrição Estética e Saúde da Mulher e membra da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva, para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema. Confira!
O que vamos abordar neste artigo:
- O que é whey protein?
- Quais são os tipos de whey protein?
- Quais são os benefícios do whey protein?
- Com o whey protein mais caro, o que muda na prática?
- Quais alimentos realmente substituem o suplemento?
- Qual a opção mais barata com melhor resultado?
- Como calcular a quantidade certa de proteína?
- O que não pode ser ignorado na hora de substituir o whey?
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O que é whey protein?
O whey protein, ou proteína do soro do leite, é um suplemento alimentar obtido durante o processo de fabricação do queijo. Esse soro é rico em proteínas de alto valor e, após ser processado e filtrado, dá origem ao suplemento que hoje é um dos mais consumidos por praticantes de atividade física no Brasil e no mundo.
O grande apelo do whey está na sua composição. Além de conter todos os aminoácidos essenciais, o suplemento apresenta concentrações elevadas de leucina, aminoácido diretamente ligado ao estímulo da síntese proteica muscular. Isso o torna uma fonte proteica de referência tanto na prática clínica quanto esportiva.

Quais são os tipos de whey protein?
Nem todo whey protein é igual. Existem três versões principais no mercado e a diferença entre elas está no grau de processamento e na concentração proteica final. O whey concentrado é o mais comum e acessível, com concentração proteica entre 70% e 80%, além de pequenas quantidades de lactose e gordura. O whey isolado passa por um processo de filtração mais refinado e chega a concentrações de 80% a 95% de proteína, com teores mínimos de lactose, sendo indicado para pessoas com intolerância. Já o whey hidrolisado tem as proteínas parcialmente quebradas por um processo chamado hidrólise, o que acelera ainda mais a absorção pelo organismo.
Na prática, a escolha entre os tipos depende do objetivo, da tolerância digestiva e do orçamento de cada paciente. O hidrolisado é o mais caro e de absorção mais rápida; o concentrado é o mais econômico e amplamente eficaz para a maioria das pessoas.
Quais são os benefícios do whey protein?
O whey protein acumula décadas de pesquisa e evidências robustas sobre seus efeitos no organismo. Entre os benefícios mais documentados estão o suporte ao ganho de massa muscular, a aceleração da recuperação pós-treino, o aumento da saciedade e a preservação de massa magra. Esses efeitos decorrem principalmente da alta concentração de aminoácidos essenciais e da velocidade de absorção do suplemento.
Vale destacar que o whey não age de forma isolada, seu potencial é maximizado quando combinado com treino de resistência adequado e uma alimentação equilibrada. Sem esses pilares, o suplemento perde boa parte da sua efetividade, o que reforça a importância do acompanhamento profissional.
Os benefícios do whey são reais e bem embasados cientificamente, especialmente para síntese muscular e recuperação. Mas ele funciona como parte de um contexto, não como solução isolada. Pacientes que treinam bem, dormem bem e se alimentam bem vão colher muito mais resultado do suplemento do que quem vê nele um atalho.
Com o whey protein mais caro, o que muda na prática?
O whey protein ficou mais caro e muita gente está em dúvida se ele ainda vale a pena ou se é possível alcançar os mesmos resultados sem ele. A resposta, segundo Caroll Martins, é que o suplemento nunca foi obrigatório para ninguém.
“O whey protein é uma ferramenta prática e eficiente, mas não é indispensável. É perfeitamente possível atingir as necessidades diárias de proteína apenas com a alimentação, desde que haja planejamento e consumo adequado de fontes proteicas de alta qualidade ao longo do dia”, explica a especialista.
Isso não significa que o suplemento não tenha valor. Sua praticidade e facilidade de uso fazem dele uma estratégia conveniente para muitas pessoas, especialmente quem tem rotina intensa e dificuldade de consumir proteína suficiente só pela comida. O problema é quando ele deixa de caber no orçamento sem que o paciente saiba o que colocar no lugar.
Quais alimentos realmente substituem o suplemento?
A boa notícia é que a natureza oferece uma lista generosa de fontes proteicas de alta qualidade. Segundo Caroll, ovos inteiros, frango, peixe e carnes magras, iogurte e queijo cottage, tofu, feijões, lentilhas e grão-de-bico são todas opções válidas para compor o aporte proteico diário.
“A escolha depende da rotina, da preferência alimentar, do objetivo, das combinações e da quantidade total de proteína necessária”, aponta a nutricionista. Ou seja, não existe uma lista única que funcione para todos, o contexto individual importa.
Vale lembrar que fontes animais como ovos, frango e laticínios tendem a ter perfil de aminoácidos mais completo, enquanto as fontes vegetais podem exigir combinações estratégicas para garantir todos os aminoácidos essenciais. Um profissional de nutrição é o mais indicado para orientar essas escolhas de forma personalizada.

Qual a opção mais barata com melhor resultado?
Para quem quer manter a ingestão proteica sem estourar o orçamento, algumas opções se destacam. “No Brasil, ovos costumam apresentar excelente custo-benefício pela qualidade proteica e versatilidade. Das carnes, o frango é uma alternativa economicamente interessante”, destaca Caroll Martins.
Além do preço acessível, ovos e frango têm a vantagem de serem alimentos amplamente disponíveis, fáceis de preparar e muito versáteis. Um ovo grande fornece em torno de 6 a 7 gramas de proteína e pode ser consumido de diversas formas ao longo do dia.
O iogurte também merece atenção, dependendo da marca, pode oferecer de 8 a 12 gramas de proteína por porção, com a vantagem adicional de conter cálcio e probióticos. A combinação de alimentos proteicos variados ao longo do dia é, muitas vezes, a estratégia mais eficiente e econômica para atingir as metas.
Como calcular a quantidade certa de proteína?
Antes de sair substituindo o whey por qualquer alimento, é importante entender quanto de proteína você realmente precisa. Caroll reforça que a personalização é insubstituível nesse processo e reforça o papel de um profissional da nutrição ao longo desse processo.
“O ideal é consultar um nutricionista para avaliar a alimentação e obter uma dieta personalizada. Dessa forma, o paciente terá as opções e variações possíveis de acordo com sua realidade”, orienta a especialista. Para quem quer uma estimativa inicial, ela oferece um parâmetro útil: “Para pessoas fisicamente ativas, normalmente recomenda-se algo entre 1,6 e 2,0 g de proteína por kg de peso corporal por dia, dependendo dos objetivos e características individuais.”

O que não pode ser ignorado na hora de substituir o whey?
Trocar o whey por alimentos comuns parece simples, mas exige atenção a detalhes que fazem diferença nos resultados. Segundo Caroll, o principal erro é focar apenas na quantidade de proteína e ignorar a qualidade.
“Fontes proteicas diferem em digestibilidade e, principalmente, no perfil de aminoácidos essenciais e no teor de leucina, aminoácido importante para a síntese muscular. Além disso, é importante considerar praticidade, saciedade, calorias totais e adequação à rotina de cada paciente”, alerta a nutricionista.
“Em resumo: o whey não é obrigatório, mas pode ser uma estratégia conveniente para ajudar algumas pessoas a atingirem suas metas proteicas com praticidade e consistência”, conclui Caroll Martins.
Com informações de Healthline, Medparkhospital e National Library of Medicine.
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