Nutricionista oncológica alerta sobre os riscos do consumo contínuo de ultraprocessados e o impacto direto na saúde
O debate sobre alimentação saudável nunca esteve tão presente no cotidiano das pessoas. Ao mesmo tempo, a oferta de produtos industrializados cresce e se sofistica. Com ela, os riscos associados ao consumo contínuo de substâncias que pouco têm a ver com comida de verdade. Nesse cenário, a nutrição baseada em evidências ganha papel central. Mais do que orientar escolhas alimentares, ela oferece respostas concretas sobre o que acontece no organismo quando esses produtos são consumidos com regularidade.
Para entender melhor o tema, o blog do Nutri In Rio conversou com Patrícia Arraes, nutricionista oncológica e palestrante confirmada na terceira edição do evento, sobre os efeitos dos ultraprocessados no organismo e o que a ciência mais recente tem a dizer sobre o assunto.
Por que os ultraprocessados fazem tanto mal? Veja o que a ciência diz
A resposta vai além das calorias. Entenda os mecanismos por trás do impacto desses produtos na saúde. A seguir, veja os tópicos que vamos abordar nesta matéria:
- O que são os ultraprocessados (e por que não são alimentos)
- Como eles alteram a fisiologia natural do organismo
- O que os rótulos revelam
- A nova diretriz da IARC
- Nutri In Rio: onde esse debate acontece na prática

O que são os ultraprocessados (e por que não são alimentos)
A definição vai direto ao ponto. Para Patrícia Arraes, a discussão começa pelo enquadramento correto desses produtos.
“Eles não são alimentos. Eu costumo chamar de produtos ultraprocessados, em que são isolados elementos e utilizados muitos componentes sintéticos para dar aroma e sabor”, destaca a especialista.
A afirmação tem base técnica sólida: o que define um ultraprocessado é justamente o distanciamento de matéria-prima alimentar. Pela classificação NOVA — sistema desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da USP e adotado como referência na área —, os ultraprocessados compõem o grupo 4, o mais distante da comida in natura. São formulações industriais produzidas predominantemente a partir de substâncias extraídas de alimentos ou sintetizadas em laboratório: óleos hidrogenados, amidos modificados, proteínas isoladas, açúcares refinados e uma extensa lista de aditivos químicos.
O resultado final não é comida. É um produto projetado para ser conveniente, barato, palatável e, acima de tudo, lucrativo. A aparência pode remeter a algo alimentar, mas a composição conta uma história diferente.
Esse é o ponto central que especialistas como Patrícia Arraes buscam comunicar: o problema não está apenas nos nutrientes em excesso ou na ausência de vitaminas. Está na natureza do produto em si. E compreender essa distinção é o primeiro passo para uma relação mais consciente com a alimentação.
Como eles alteram a fisiologia natural do organismo
Um dos mecanismos mais preocupantes envolve a forma como esses produtos interferem na percepção sensorial e nos processos inflamatórios do corpo.
“A indústria cria ‘supersabores’ químicos. Depois de comer um biscoito com sabor artificial de churrasco, uma batata cozida vai parecer super sem graça. O consumo contínuo de produtos ultraprocessados altera a nossa fisiologia natural. Isso gera respostas inflamatórias de baixo grau no corpo”, explica a nutricionista.
Esse processo de dessensibilização ao sabor natural compromete progressivamente as escolhas alimentares e tem consequências diretas para a saúde a longo prazo.
O que os rótulos revelam
Uma ferramenta prática para identificar ultraprocessados está disponível para qualquer consumidor: o rótulo. Mas é preciso saber o que procurar.
“O número de ingredientes é muito grande, muito extenso. Presença de nomenclaturas que não são comuns ao nosso hábito. O que é comum ao nosso hábito? Quiabo, melancia, mamão, caqui… E aí quando você vai ler o rótulo, tem lá um sorbato de potássio, glutamato monossódico, carboximetilcelulose, entre outros”, detalha Patrícia.
O exercício de leitura do rótulo é, portanto, um dos primeiros passos para uma alimentação mais consciente e segura.

A nova diretriz da IARC sobre embutidos e o risco de câncer
Um dos pontos mais relevantes abordados pela especialista diz respeito a uma atualização recente da IARC — Agência Internacional de Pesquisa em Câncer — sobre o consumo de embutidos.
“Recentemente, a IARC publicou um novo documento atualizando as diretrizes sobre os embutidos. Anteriormente, considerava-se aceitável um limite de consumo de até 50 gramas por semana, mesmo com a já conhecida correlação direta desses produtos com o desenvolvimento de cânceres — principalmente o gástrico, o esofágico e o intestinal. No entanto, neste último posicionamento, a agência evidenciou que não há nível seguro para a ingestão de embutidos. O limite de 50 gramas não é mais considerado uma margem de segurança e a recomendação atual é, de fato, a exclusão do consumo desses alimentos”, afirma a nutricionista.
A atualização reforça a importância de acompanhar as evidências científicas mais recentes e de contar com profissionais capacitados para traduzir essas informações em condutas clínicas seguras.
Nutri In Rio: onde esse debate acontece na prática
O Nutri In Rio é o principal evento de nutrição do Rio de Janeiro, realizado pelo Grupo Open Brasil. Em sua terceira edição, o congresso reúne profissionais, pesquisadores, estudantes e marcas do setor em uma programação voltada para atualização científica, prática clínica e inovação.
Patrícia Arraes é uma das palestrantes confirmadas e estará presente para aprofundar temas como esse, que impactam diretamente a atuação dos profissionais de nutrição no dia a dia. O evento acontece entre os dias 16 e 18 de maio, no Riocentro, no Rio de Janeiro. As inscrições são limitadas. Garanta sua participação aqui!
Com informações de Agência Internacional de Pesquisa em Câncer
Os conteúdos do Blog Nutri In Rio têm caráter informativo e visam promover o diálogo entre ciência, saúde e bem-estar. As informações aqui apresentadas refletem tendências, pesquisas e práticas reconhecidas no campo da saúde integrativa, sem substituir orientações profissionais ou recomendações clínicas.



