Estudo mostra que esse efeito acontece em 82% dos pacientes; nutricionista explica o motivo e alerta para a importância do acompanhamento profissional
O uso do Mounjaro se popularizou rapidamente como uma solução para a perda de peso. Um estudo publicado na JAMA Network Open trouxe um alerta importante para quem aposta na tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, como estratégia para emagrecer. Os dados do ensaio clínico mostram que 82% dos pacientes que interromperam o uso do medicamento recuperaram pelo menos 25% do peso perdido após um ano.
Mais do que o retorno dos quilos extras, o estudo apontou a perda dos ganhos metabólicos conquistados durante o tratamento. Pressão arterial, colesterol e resistência à insulina voltaram a piorar em grande parte dos participantes. O cenário reforça que o medicamento, isoladamente, não sustenta resultados a longo prazo.
A equipe do Nutri In Rio, principal congresso de nutrição do Brasil e que pertence ao Grupo Open Brasil, conversou com uma das palestrantes confirmadas no evento para entender por que esse efeito acontece e quais os riscos do uso sem orientação adequada.

Mounjaro: por que o medicamento precisa ser usado com cautela? Veja todos os tópicos
- Por que é comum ganhar peso pós Mounjaro?
- O risco da automedicação do Mounjaro
- Mounjaro x anabolizantes: o mesmo atalho perigoso
- A importância do acompanhamento profissional
- Garanta sua inscrição no Congresso Nutri Rio 2026
Por que é comum ganhar peso pós Mounjaro?
O reganho de peso após a interrupção do Mounjaro tem sido observado com frequência tanto em estudos clínicos quanto na prática profissional. Isso ocorre porque o medicamento atua diretamente em mecanismos hormonais ligados à saciedade e ao controle glicêmico, mas não promove, de forma isolada, mudanças duradouras no comportamento alimentar.
Quando o uso é interrompido, o organismo tende a reagir. Hormônios relacionados à fome voltam a atuar com mais intensidade. Sem ajustes consistentes na alimentação e no estilo de vida, o corpo retorna gradualmente ao padrão metabólico anterior ao tratamento. Segundo Manda Costa, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), esse resultado pode ser observado em outros medicamentos.
“O reganho de peso após o uso do Mounjaro já é um desfecho esperado. Existem evidências prévias na literatura científica que demonstram esse fenômeno, não apenas em relação a esse medicamento específico, mas também em diferentes estratégias de intervenção para o tratamento da obesidade e do sobrepeso.”

O risco da automedicação do Mounjaro
Não é incomum conhecer algum amigo ou parente que usa remédios por conta própria. Muitas pessoas iniciam o medicamento sem avaliação médica adequada, sem exames prévios e sem um plano estruturado de acompanhamento.
Essa prática transforma um recurso terapêutico em uma solução improvisada. O problema não está no fármaco, mas na forma como ele vem sendo utilizado, muitas vezes impulsionado por informações superficiais e promessas irreais disseminadas nas redes sociais. Para a palestrante da edição 2026 do Nutri In Rio, a banalização do uso compromete não apenas os resultados, mas também a segurança do paciente.
“Não é possível atribuir o problema ao medicamento em si. O Mounjaro apresenta efeitos positivos bem documentados. O ponto crítico reside na forma como esse medicamento vem sendo utilizado”, reforça a pesquisadora.
A utilização de medicamentos como estratégia para alcançar mudanças rápidas no corpo não é um comportamento recente. Ao longo da história, diferentes substâncias passaram a ser vistas como soluções imediatas para transformar a aparência física.

Mounjaro x anabolizantes: o mesmo atalho perigoso
No campo da pesquisa hormonal, esse padrão é bem conhecido no uso de esteroides anabolizantes. Em ambos os casos, o foco está no resultado acelerado, seja na redução do peso corporal ou no aumento de massa muscular, sem a construção de hábitos consistentes de alimentação e movimento. De acordo com Manda Costa, quando o Mounjaro é utilizado com essa lógica de atalho, o risco é repetir o mesmo ciclo observado com outras intervenções.
“Historicamente, medicamentos são utilizados como uma espécie de atalho para a obtenção rápida do corpo desejado. Ao ampliar esse olhar para o campo da pesquisa hormonal, observa-se fenômeno semelhante no uso de esteroides anabolizantes, especialmente na busca de ganhos rápidos de massa muscular ou reduções expressivas do percentual de gordura sem abrir mão de um estilo de vida inadequado”, reforça a nutricionista.
A importância do acompanhamento profissional
Diante desse cenário, o acompanhamento profissional é essencial. O uso de medicamentos para emagrecimento exige prescrição, monitoramento contínuo e avaliação constante dos impactos metabólicos.
O médico é responsável pela indicação e pelo acompanhamento clínico, mas o sucesso do tratamento depende de uma abordagem integrada. Sem isso, os resultados tendem a ser temporários e o risco de ganhar peso aumenta. Para a professora, uma atuação horizontal é o que permite sucesso ao longo do tratamento.
“A atuação multiprofissional torna-se indispensável. Trata-se de um medicamento, o que exige prescrição médica e acompanhamento contínuo.Enquanto o médico é responsável pela prescrição e pelo monitoramento dos marcadores de saúde, nutricionistas e educadores físicos desempenham papel central na preservação e no ganho de massa muscular”, sinaliza a palestrante.
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Os conteúdos do Blog Nutri In Rio têm caráter informativo e visam promover o diálogo entre ciência, saúde e bem-estar. As informações aqui apresentadas refletem tendências, pesquisas e práticas reconhecidas no campo da saúde integrativa, sem substituir orientações profissionais ou recomendações clínicas.



